O segredo dos “Juros Abusivos” que os bancos não querem que você saiba

Você realizou o sonho do carro novo. Deu uma entrada, parcelou o resto em 48 ou 60 vezes e saiu da concessionária feliz. Mas, depois de um ano pagando, você faz as contas e percebe: “Já paguei o valor do carro e ainda devo metade do contrato!”.

A sensação é de ter sido enganado. E, muitas vezes, foi mesmo.

O termo “Juros Abusivos” é muito falado, mas pouco compreendido. Muita gente entra na justiça “no escuro” e perde. Como perito contábil, vou te explicar onde exatamente o banco esconde o lucro exagerado e como provar isso tecnicamente.

O que define o “Abuso”?

O banco tem liberdade para cobrar juros? Sim. O banco pode cobrar juros compostos? Sim (infelizmente, é a regra no Brasil).

Então, o que é ilegal? Cobrar muito acima da média do mercado.

O Banco Central divulga mensalmente a “Taxa Média de Juros” praticada no mercado. Se a média nacional para financiar um carro era de 1,5% ao mês na data que você assinou o contrato, e o seu banco te cobrou 3,5% ao mês, acende-se um alerta vermelho. Isso é um forte indício de abusividade.

As Armadilhas Escondidas (Tarifas Fantasmas)

Além da taxa de juros, os bancos embutem custos no seu financiamento que aumentam a dívida sem você ver. O perito investiga itens como:

  1. Venda Casada de Seguros: Aquele “seguro prestamista” que empurraram dizendo que era obrigatório. Não é.
  2. Tarifas de Cadastro e Avaliação: Cobranças duplicadas ou com valores exorbitantes apenas para “aprovar” seu crédito.
  3. Sistema de Amortização: O uso da Tabela Price de forma distorcida para maximizar o lucro do banco no início do contrato.

A Matemática como Arma de Defesa

Não adianta chegar para o Juiz e dizer “estou pagando muito caro”. O Juiz precisa de provas.

É aqui que entra o Laudo Pericial Revisional. Nós pegamos o seu contrato, jogamos em planilhas financeiras complexas e recalculamos a dívida inteira excluindo as taxas ilegais e ajustando os juros para a média do mercado.

O resultado, muitas vezes, é chocante: descobre-se que o saldo devedor real é 30% ou 40% menor do que o banco diz.

Conclusão

Se você desconfia que está pagando dois carros para levar um, não pare de pagar as parcelas por conta própria (isso pode dar busca e apreensão do veículo).

O caminho correto é: procure um advogado especialista e solicite um cálculo prévio a um perito contábil. Só com os números na mão você terá força para negociar ou brigar na justiça.

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